Observe, apenas observe .

Observe, apenas observe .
"A natureza fez o homem feliz e bom, mas a sociedade deprava-o e torna-o miserável".(Jean Jacques)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011


O amor não se vê com os olhos mas com o coração.
William Shakespeare

Shakespeare


É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada.
William Shakespeare
Devo admitir, faz um tempo que não dou o ar da graça, o que se deve a correria do dia a dia, ou a ausência de motivação para escrever, é tudo tão prático, técnico, moderno, que os hábitos e atitudes antes normais, tomam a posição de antepassados ou primitivos, como se o mundo em um piscar de olhos indicasse o progresso, e a exigência de maturidade prematura.
Com um trânsito caótico, canções massantes e ideologias que não fazem o menor sentido, nos vemos sendo carregados pela onda de ar que soa suavemente pelas nossas faces, sendo invadidos por um turbilhão de mensagens e informações nos sentimos os homens do topo da cadeia alimentar, prestes a conquistar nossa última medalha,  conscientes de que os resultados foram positivos, e de que a inteligência que sempre tivera fora  provada a cada incógnita desvendada, ou a cada descoberta individual, tão concentrados em nossas vidas, tão impressionados com nossa capacidade em minunciosamente, observar os detalhes, que esquecemos que a vida não é uma brincadeira de pique, e que as palavras apresentam um valor singular, seu papel no cenário da vida é riquíssimo, a palavra não deve ser apenas ouvida, todavia sentida..., permita que sua ausência acalente sua alma e que seu excesso transborde seu bom humor, que seja útil para avivar alguém      
 e doce, como minha adorável mãe diz - " Seu colo é doce" , ah ... se ela soubesse o quanto a amo, enfim , desejo que suas palavras se enquadrem perfeitamente no seu dia a dia, mesmo que depois você mesmo não entenda, o que importa são as palavras .

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O silêncio já se tornou para mim uma necessidade física espiritual.
Inicialmente escolhi-o para aliviar-me da depressão. A seguir precisei de tempo para escrever. Após havê-lo praticado por certo tempo descobri, todavia, seu valor espiritual.
E de repente dei conta de que eram esses momentos em que melhor podia comunicar-me com Deus. Agora sinto-me como se tivesse sido feito para o silêncio.»
Senhor, ajuda-me a dizer a verdade
diante dos fortes e a não dizer mentiras para
ganhar o aplauso dos fracos.
Se me dás fortuna, não me tires a razão.
Se me dás sucesso, não me tires a humildade.
Se me dás humildade, não me tires a dignidade.
Ajuda-me a enxergar o outro lado da moeda.
Não me deixes acusar o outro
por traição aos demais, apenas por não pensar igual a mim.
Ensina-me a amar os outros como a mim mesmo.
Não deixes que me torne orgulhoso, se triunfo;
nem cair em desespero se fracasso.
Mas recorda-me que o fracasso
é a experiência que precede o triunfo.
Ensina-me que perdoar é um sinal de grandeza
e que a vingança é um sinal de baixeza.
Se não me deres o êxito,
dá-me forças para aprender com o fracasso.
Se eu ofender as pessoas,
dá-me coragem para desculpar-me.
E se as pessoas me ofenderem,
dá-me grandeza para perdoar-lhes.
Senhor, se eu me esquecer de Ti,
nunca Te esqueças de mim."
(Mahatma Gandhi )

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Eu sem você sou só desamor, um barco sem mar, um campo sem flor. (Vinícius de Moraes)

Porque foste na vida
A última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu
Sem eu saber sequer
Porque és o meu homem
E eu tua mulher
Porque tu me chegaste
Sem me dizer que vinhas
E tuas mãos foram minhas com calma
Porque foste em minh'alma
Como um amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Sou uma maçã , do topo .

Oswaldo Montenegro

Faça uma lista de grandes amigos
Quem você mais via há dez anos atrás
Quantos você ainda vê todo dia
Quantos você já não encontra mais...
Faça uma lista dos sonhos que tinha
Quantos você desistiu de sonhar!
Quantos amores jurados pra sempre
Quantos você conseguiu preservar...
Onde você ainda se reconhece
Na foto passada ou no espelho de agora?
Hoje é do jeito que achou que seria
Quantos amigos você jogou fora?
Quantos mistérios que você sondava
Quantos você conseguiu entender?
Quantos segredos que você guardava
Hoje são bobos ninguém quer saber?
Quantas mentiras você condenava?
Quantas você teve que cometer?
Quantos defeitos sanados com o tempo
Eram o melhor que havia em você?
Quantas canções que você não cantava
Hoje assobia pra sobreviver?
Quantas pessoas que você amava
Hoje acredita que amam você?

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Deus de amor ,
reconheço minha fragilidade e por isso te rogo que me atenda
Que modifique meu interior , que me torne semelhante a ti,
tenho total certeza da impossibilidade de ser idêntica a ti
pois tu és limpo, sereno, puro, e sobretudo sem manchas
Tua alma é pacifica e tuas palavras são bondosas
Eu te amo
Pois tem misericórdia da minha pobre alma
Pois sendo eu tão pequenina e tímida
Tu escutas as minhas orações
Tu estás atento ao meu clamor
Elevo os meus olhos
e onde estarás o meu senhor
O soberano Deus
Onde estará ?
Junto as estrelas ?
Junto ao sol ?
Junto as nebulosas  ?
Óh, quão grande é a sorte destes, de te terem por perto
E quão contente estou de dialogar contigo
Mais que uma súplica, é uma oração
Um pedido de libertação
Pois os homens são mentirosos
Prometem e não cumprem
Todavia, as respostas andem contigo
Por que me desafio entre livros e cartas ?
Se tu és o soar da voz
Se tua luz me permite ver
E se as tuas sentenças são juntas
Se teus mandamentos , são benignos

Agradeço, meu senhor
Por todas as boas novas , que me tem alcançado
E por teu grandioso amor , que me conforma
Pelo teu abraço que me aquece nos dias sombrios
E por teus ensinamentos
 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Amor, é o que buscamos
Mas Deus é amor
e por que tantos não buscam a Deus ?
Liberdade,
Que vem de ti Jesus Cristo
Que anulam as maldições
Que alegra a alma dos feridos
Que amamenta teus mais imaturos e frágeis filhos
A liberdade que provoca meu contentamento
Que insulta aprisionamento
Somente em Cristo, meu coração, mente, alma e espirito
estão em harmonia
Meu corpo flui em uma dança ritmada
quando estou em tua presença
Meus lábios proferem palavras afáveis
Tu é adorável, amável
Completamente pleno, único
e cheio em sí

Teu brilho independe do ouro
Tu és soberano
---------------------------------
Descanso nos teus braços, pois são suaves e calmos ,
assim como as águas que fluem no  rio,
 que tocam a minha alma
que apaziguam os desentendimentos
Permita  me senhor, tocar nas tuas vestes,
olhar no intimo dos teus olhos
contemplar  a tua plenitude
viver da tua verdade
Como gostaria senhor
que a maldade de extinguisse
que os meus olhos transbordassem de lágrimas neste instante
que meu coração fosse restaurado

Quero voar nas tua asas
ser teu servo, estar firme em ti
ser um humano completamente livre
livre dos pensamentos mundanos
entregue ao teu amor
De volta me surpreender com tua beleza
Subir em direção ao céu
Para com os anjos, e com as tuas maravilhas
Adorar te , com fé ,
Humilhar me , derramar me

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Poeiras ,
No sofá, na cama
Nos dedos
Tem um pano ?
ou um tapete,
rico ou pobre
um simples tapete

Para esconder as poeiras
- "Nossa ! Mais que penugem mais linda, e olhe só , é o cavalo do mendigo ! "
Foi o que disse ao papai, com os olhos grandes de espanto, naquela idade não entendia por que o morador de rua tinha um cavalo e eu não, achava que era por que Deus era tão bonzinho que deu de presente a ele , para que pudesse ter companhia, os dias passaram e encontrei um rapaz , o melhor de onde vivia, mas espere aí ... parei eu pensando , como o melhor ? Melhor para mim ? Melhor para ele mesmo ? Melhor dos melhores ? Ou melhor apenas por classificação ? ... É, durou pouco, perguntava demais , um dia perguntei sobre minha cor predileta, meu sorriso e minha maneira petulante de falar o que penso e ... ele não gostou .
Não gostou por que eu era uma humana dialeticamente crítica e que não suportava elogios sem uma base concreta . É !  Elogio para mim tinha que ser verdadeiro ou deveria não ser.

Fui observando o dia, o sol, as árvores a claridade, o anoitecer, até que por fim , acabou ; e eu que solitária queria prosseguir com os passeios para o cinema, praças e zoológicos vi-me perdida, todavia feliz. Feliz , por sentir me livre, a liberdade sempre me encantou, feliz por conversar sozinha pelas ruas e admirar as árvores plantadas rente a minha janela, feliz por ser somente minha e viver egocêntricamente para o meu agrado.
Retornei ao meu estado de calma e paz, e pedi ajuda e este cidadão , que me retirou parte da liberdade e em lugar desta acrescentou um peso latente em minha alma, sem perguntas ou olhares, fugindo de qualquer sentimento ou afeição, olhou me indignamente e sem complementos deixou me ir . Como desejei que fosse idêntico aos romances antigos em que ele me abraçasse e com flores fosse gentil . Estúpida ! Como pude cogitar algo do tipo .
E continuo a ir, contente com o que me foi doado e contente com o que doei .
As vezes eu me enrolo tanto , que esqueço o meu nome .

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Os animais existem por suas próprias razões. Eles não foram feitos para humanos, assim como negros não foram feitos para brancos ou mulheres para os homens. Alice Walker
Me disseram que amor era demonstrar amor , congelei .
Então todos os meus esforços em sentir, deduzir e agir eram efêmeros, inúteis , eu era apenas uma jovem, em busca de uma felicidade inventada, infrutífera, fracassei todas essas vezes e não sabia que esse era o resumo, demonstrar era a palavra chave, a carta que faltava a mesa ; bem ... passei horas refletindo, a cerca dos idosos, das crianças, dos mendigos e aquele modo complacente, gracioso e amável de olhar e acariciá los foi desnecessário, a piedade que sentia dos sofredores foi em vão . Note ... por favor , sinta minhas palavras, ouça o sussurro que flui dos meus lábios , meu afeto era sobre humano, era algo que me fazia sentir uma alegria e vontade de pintar minhas telas, mesmo que fossem rabiscos ou simples flores , cantava como um pássaro e sorria como um anjo, quando essa ilusão se foi .
Entendi , o amor é incompreensível.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Ela é fantástica

"Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser,mas só quando eu quiser." - Clarice Lispector --
Sensibilidade - Habilidade de sentir o que poucos sentem, de contemplar o minúsculo, de se conectar com os sentimentos alheios .

Amor - Atividade de se encantar com o simples, sorrir sem motivos e admirar a vida .

Paz - Sensação interior  repleta de harmonia .
Agente cria um olhar materialista, amoroso e pessoal . E depois descobre que o que vale é o simplesmente olhar.

Felicidade

"A vida é composta de prazeres pequenos. A felicidade é composta desses pequenos sucessos. O grande vêm muito raramente. E se você não colecionar todos estes pequenos sucessos, o grande realmente não significará qualquer coisa." (Norman Lear)

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Vinicius de Moraes

Poema enjoadinho
 

Filhos . . . Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete . . .
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.
E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão.
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los . . .
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem xampu
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!
 

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu escrevo para quem ?
Para quem amo e não vejo mais, ou para quem vejo e não amo mais ?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Grande Tom Jobim

"Quando uma árvore é cortada ela renasce em outro lugar. Quando eu morrer quero ir para esse lugar, onde as árvores vivem em paz."

sábado, 15 de janeiro de 2011

Hoje vou usar aquele brinco de pérola que meu pai acha horroroso, por que é maior que minha pequena orelha, e vou com ele para o teatro, ser o meu próprio espetáculo, me achar a comédia da noite, não por ser ridícula, mais ser quem causa risos na platéia; hoje  largarei por 3 segundos a culpa de ser pecadora e me descobrirei em silêncio, observando meus atos e práticas afim de reconhecer quem criei em mim, vou cortar o cabelo, e calçar o tênis, juntamente com aquela calça jeans,  mais velha que eu mesma.
Enfim, vou ficar em casa, e dormir no fim de tarde, logo após praticar o ato de caridade do dia, vou sorrir para o senhor da banca e vou me admirar, sem pena de ser humana. Quero notar em cada pessoa  o Deus todo poderoso, limpo, santo e que existe, aí de quem acha o contrário, quero conversar com ele no alto da montanha, somente nós dois, e depois quero olhar para o meu amor, com os olhos fênix, indecifráveis, tão desconfiados e e cheios de ternura, que vão fazê lo sorrir, sem nenhum gesto ou palavra, e quando a noite cair, serei uma outra atriz .
Hoje eu acordei com uma vontade de jogar a tinta em tudo, e ir pintando todas as minhas telas em branco, acordei com vontade de fazer brigadeiro de panela e chamar as amigas falsas que sempre me odiaram, sorrir pra elas e apenas ser feliz; Mas, que vontade maluca essa com que acordei, é daquelas que faz você amar mais as pessoas, e sorrir para o namorado mesmo que ele não tenha feito a barba, é a vontade de criança de subir na árvore, de brigar pela boneca e de chorar para o papai, que virá logo me socorrer !
Ah! Que vontade de entregar os livros de psicologia, e recolher os de literatura e história, é a vontade de comprar um ingresso para o shown de rock que eu detestaria, a vontade de repetir a mesma palavra no texto, de propósito por que não suporto repetições, a moda é uma delas e por isso abomino; hoje tenho vontade de subir nas costas de alguém e girar até ficar tonta ou cair de bumbum do chão, vontade desesperadora de ir ao asilo e beijar aquela idosa que sempre me abraça assim que chego, vontade de visitar a amiga distante e de deixar todos os compromissos para depois, evitar entrar na minha caixa pessoal de email, para ver o que tenho que fazer no dia. Acabou... acabou a partir de hoje, a minha falta de vontade de zombar de mim mesma, e a timidez  que me impede te gritar um " - Eu te amo" , saí do casulo, estou de volta para a vida, vou começar agora, lendo as escrituras e beijando tudo que ver pela frente, menos os indivíduos dos bares, seria uma cena deprimente.
Vontadeee... vontade de chorar pelos miseráveis e por todo mundo que me abandonou quando mais precisei, vontade de orar pelos encarcerados, e por todos aqueles que me odeiam sem saber ao menos dos meus pensamentos, ideologias, desejos, erros, acertos. Acho que vou aproveitar essa vontade, por que é única, é uma sensação maravilhosa, deve ser estar realmente viva !

Ai, que vontade...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Penso agora, no Deus que trabalha e escuta nossas orações, por tanto tempo foi tido como ameaçador pelos fiéis, como ditador, será que ele é isso mesmo ? 
Quando criança, aproximadamente 10 anos, cabelos curtos, negros , olhos brilhantes , observava em uma árvore algumas crianças; elas choravam, não sabia o por que, parecia não ter lógica para mim, até que as reverenciei e questionei a respeito de suas lágrimas, elas me contaram ... Chorei juntamente com elas, logo que me dei conta da maldade daqueles homens, que cruel e friamente ceifaram a vida de outro, o pior de toda a história, é que imaginei o sangue que escorria pelo seu corpo, e suas vestes manchadas, sua pele frágil sendo cortada e sua sábia boca que defendia os agressores, tenha piedade ... piedade de todos nós, somos pobres pecadores, é o que eu deveria pensar e suplicar; Entretanto, o que faço é amá lo, e sentir a ternura que flui daquele homem. Depois de um tempo o silêncio se instalou e já calmas, nos abraçamos, e sonhamos acordadas pensando ... e pensando , se seria possível vê lo, pois sempre acreditei que poderia ir onde minha mente me levasse, sem cogumelos, alucinógenos ou medicamentos, apenas com o poder da imaginação, com a pureza da alma e com a inocência da criança; Em uma fração de segundos cheguei em um local repleto de flores, e quando por curiosidade toquei em uma delas, minhas pequeninas mãos manchadas ficaram , deve ter sido a tinta que sempre estivera nos meus quadros mal pintados, e com toda alegria e força corri ... e corri ! Abrindo os braços como uma águia, até que cheguei no lago, que era cristalino, azul e molhado, assim como os olhos do papai ficava nas vezes que o abraçava, e foi nesse momento que uma emoção inexplicável me envolveu, e minhas perninhas e boquinha desapareceram, eu queria falar eu juro, mas ele era tão lindo, que tive medo de ser tola ou ignorante, até que ele se abaixou até ficar na minha altura, passou a mão nos meus cabelos e fez como vovó fazia me colocou em seu colo, eu chorei, e não sabia o motivo, apenas senti uma lágrima fina e cheirosa passar pelas minhas rosadas bochechas, até que ele se foi, e inesperadamente aqui eu estava vendo Deus, em um mendigo, uma flor, um pássaro e em você, tentando vê lo novamente em cada instrumento e amando ... amando, sem explicação ou lógica, assim como ouço a flauta, o violino, o piano e sua voz amor . 

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Caetano Veloso - Luz do Sol 

Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em ver denovo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...
Céu azul
Que venha até
Onde os pés
Tocam a terra
E a terra inspira
E exala seus azuis...
Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...
Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...
Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida...
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em ver de novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...
Reza, reza o rio
Córrego pro rio
Rio pro mar
Reza correnteza
Roça a beira
A doura areia...
Marcha um homem
Sobre o chão
Leva no coração
Uma ferida acesa
Dono do sim e do não
Diante da visão
Da infinita beleza...
Finda por ferir com a mão
Essa delicadeza
A coisa mais querida
A glória, da vida...
Luz do sol
Que a folha traga e traduz
Em ver de novo
Em folha, em graça
Em vida, em força, em luz...
Discursar a respeito das minhas manias, é uma das mais fáceis tarefas; Mania, classificado como hábito estranho, ridículo executado por alguém mais de uma vez, essa é a primeira , essa paranóia de classificar o que todo mundo sabe ou conhece mesmo que vagamente, e essa, acompanha a de ser critica ao que eu falo, e querer não falar ,mas ser testada a isso. A psicose de admirar o que ninguém gosta, como blusinhas de tricô cor rosa claro, e essa vontade de abraçar incessantemente  todos os gatos e cães abandonados, se pudesse seria veterinária, mas tenho horror a surto de cachorro. Uma dos mais remotos maus costumes é enjoar das coisas, enjoar de cores, brincos, pessoas, assuntos, e de mim mesma, e aborrecer me mensalmente com o tédio que é ser eu mesma todos os dias. O fato, é que tudo isso me agride ... e me faz suspirar friamente quando queria suar de rir, os campos ao meu redor são tão belos e coloridos que moraria por apenas 1 dia se possível, por que eu gosto é da mudança, da ganância de amar infinitamente é próximo, e do desejo de se renovar.
O oposto disso, é o anseio pelo retorno da carta, do beijo, do afeto, necessito disso longe e perto , nada de modo exagerado ou intenso, a sensação do superficial as vezes é plena, e até boa se você for desconfiada como    
sou, daquelas que foi e é traída conscientemente, preciso de alguém que me entenda, e sinta como eu a arte que é ser ator, poeta, pintor e humano, capaz de se desculpar quando o outro erra. A  beleza da humildade está no reivindicar a sí próprio para satisfazer o outro. E essa a mania que falta a nós, a do altruísmo, da bondade, de caridade.
Ah meu DEUS !  Ser um ser , repleto de sí, é ser ser .

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A noite, bela e romântica já nos visitou. Esperei, esperei, que me olhasse nos olhos e falasse da flor.
Mas eis que a manhã chegou, o tomou o seu partido, me levando a brigar contigo e a perder o fugaz desabrochar da flor, que por falta de afeto, a tarde levou .
Confesso, tenho pena de quem tem pena, conseqüentemente , pena até de mim, por acreditar que sou melhor de vez em quando, e sorrir quando dá vontade que é sempre o oposto do dever de ser simpático, e por ser a subdona do meu nariz, tentando de modo frágil evoluir humana, social, física e espiritualmente, carregada de dúvidas e contradições, todavia convicta da beleza, honestidade e personalidade de Cristo, o salvador.
Meu caminho reto e com curvas desenhadas, ciente de cada deslize e atenta as linhas enganosas, por que eu gosto do silêncio da tarde, e da chuva da manhã, do perfume do amor,  do poema, da flor recebida, do romance antigo, e da música serena. Ah ! ... e o abraço bem forte, a pintura inventada , com aquela risada, cheiro,cor, amor. Tente ser a pena que escreve, sem pena, sem frio , sem dor !
O som que flue da sua harpa é magnifico, lembra me a serenidade e simplicidade de alguém. Você pode ver aquela graciosa mulher que borda em tons amarelo, azul e rosa , são cores tão claras que me remetem a completude, pois a sensatez caminha com alguém que me lembro... Olhe meu caro, esse límpido céu, suas nuvens são formadas por algodão , e nas suas bordas podemos sonhar , e cantar e sorrir  e de lá de cima os mares são menores, e as crianças são maiores, pois é na infância que contemplamos a inocência  no vestir, a criatividade no amar; Aqui , Descobri que os grandes, são os pequenos e que posso deitar na grama verdinha, que os animais são livres, e sempre tem uma bela senhora no jardim de rosas azuis, oferecendo ovos, e recitando poemas sobre a vida.  Por essas bandas, observo  a brisa brincar com as  árvores, e o girassol brilhar com o roda-roda do vento.
Dizem que tudo ocorre por vontade de  alguém, essa pessoa é desconhecida na terra, acham que ele é um homem qualquer, afinal o pregaram na cruz, mas , como você sabe , esse lugar as crenças, hábitos e modos de agir são antagônicos aos dos outros locais, aqui é terra santa , e ele é o Rei . Nós o chamamos de alguém, por que é complexo defini lo, sua singularidade, personalidade e honestidade são indetermináveis, sua determinação é inconfundível, ele é alguém puro e de belíssimo coração. Sinta o , ele é a vida .
O que eu sinto agora ?
Estando na minha fortaleza, repleta de tudo que imaginei ser gratificante e mágico; próximo a pessoas que se incomodam  com perguntas e estão famintas por respostas, amando e planejando romper, o que foi delicadamente podado até aqui . Por favor, meu bem , responda me passivamente há erro no incomodo com a ignorância, existe algo que desgasta com o zelo ? . Ser humano, é degradante; se como as crianças vivêssemos a procura da simples felicidade... Por que alegamos  de forma exaustiva praticar o bem , todavia busquemos satisfazer nosso ego , egoísmo e defeitos mesquinhos que negamos a  cada instante. Olha para você meu caro, criticando minha escrita, sendo superior mais uma vez , totalmente incapaz de observar as diferenças .  Tão meticuloso, detalhista, quase um Deus em sua plenitude, seja honesto consigo, sua filosofia é ilusionista, e seus hábitos e crenças formaram e constituíram alguém que jamais desejou ser.
Retire cuidadosamente sua máscara, com cuidado,  as vezes o nosso maior defeito é o que sustenta todo o nosso edifício, portanto peça ajuda, você consegue ... é difícil eu sei .
É complicado ter postura de Deus, quando se é um pobre homem.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011


A bela rosa
Criatividade não é uma das características mais praticadas  pelos adultos, visto que evitamos nos constranger.
O que me cabe é escrever acerca da delicadeza de um ser feminino, sendo este de qualquer faixa etária; as mulheres pouco a pouco conseguiram seu espaço no mercado de trabalho, e vem se desenvolvendo, perante diversas situações, assim seu estado emocional e físico deveria ter se desgastado, devo admitir que por rígidas exceções foi o que ocorreu, todavia a sensibilidade nata da mulher permanece intacta. Incrível, concorda ? A beleza transcende a aparência, o que encanta são o olhar, os toques e a sutileza, existe alguém que discorde?

De toda a correria matinal, e mordomia remota, essa águia de olhos atentos, de braços ágeis , de bocas astutas, de coração nobre e estatura humilde, se lança aos sonhos e objetivos desprezando o que não lhe convém; É a moça da cantiga, a senhora do rebanho, e menina das bonecas, o anjo de lindos olhos azuis, aquela que se entristece com o cair da noite e logo mais se aborrece com o furor do sol, e se encanta com a beleza da lua. E quem será capaz de desvendar das fases da patroa, os dias dos abraços e das conversas, que seja feita a vontade de Deus, todavia fiquemos hoje quietos, é o que diz ao marido, e este sem escolhas sorri ,com a semente da esperança plantada no peito ;  Conhecedor dos períodos de  manha, e dos de agrado.

Óh, mulheres da roça, com seus panos nos ombros e sua batalha por água, mas que garra.
Óh mulheres da França tão belas e clássicas, com seus vestidos com de rosa .
Óh mulheres da África, tenham força, amor e sobretudo Deus.
Óh ... Mas são tantas .

Amor
Clarice Lispector

Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no banco procurando conforto, num suspiro de meia satisfação.

 Os filhos de Ana eram bons, uma coisa verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam banho, exigiam para si, malcriados, instantes cada vez mais completos. A cozinha era enfim espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O calor era forte no apartamento que estavam aos poucos pagando. Mas o vento batendo nas cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe que se quisesse podia parar e enxugar a testa, olhando o calmo horizonte. Como um lavrador. Ela plantara as sementes que tinha na mão, não outras, mas essas apenas. E cresciam árvores. Crescia sua rápida conversa com o cobrador de luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam seus filhos, crescia a mesa com comidas, o marido chegando com os jornais e sorrindo de fome, o canto importuno das empregadas do edifício. Ana dava a tudo, tranqüilamente, sua mão pequena e forte, sua corrente de vida.

 Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa hora da tarde as árvores que plantara riam dela. Quando nada mais precisava de sua força, inquietava-se. No entanto sentia-se mais sólida do que nunca, seu corpo engrossara um pouco e era de se ver o modo como cortava blusas para os meninos, a grande tesoura dando estalidos na fazenda. Todo o seu desejo vagamente artístico encaminhara-se há muito no sentido de tornar os dias realizados e belos; com o tempo, seu gosto pelo decorativo se desenvolvera e suplantara a íntima desordem. Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem.

 No fundo, Ana sempre tivera necessidade de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado. O homem com quem casara era um homem verdadeiro, os filhos que tivera eram filhos verdadeiros. Sua juventude anterior parecia-lhe estranha como uma doença de vida. Dela havia aos poucos emergido para descobrir que também sem a felicidade se vivia: abolindo-a, encontrara uma legião de pessoas, antes invisíveis, que viviam como quem trabalha — com persistência, continuidade, alegria. O que sucedera a Ana antes de ter o lar estava para sempre fora de seu alcance: uma exaltação perturbada que tantas vezes se confundira com felicidade insuportável. Criara em troca algo enfim compreensível, uma vida de adulto. Assim ela o quisera e o escolhera.

 Sua precaução reduzia-se a tomar cuidado na hora perigosa da tarde, quando a casa estava vazia sem precisar mais dela, o sol alto, cada membro da família distribuído nas suas funções. Olhando os móveis limpos, seu coração se apertava um pouco em espanto. Mas na sua vida não havia lugar para que sentisse ternura pelo seu espanto — ela o abafava com a mesma habilidade que as lides em casa lhe haviam transmitido. Saía então para fazer compras ou levar objetos para consertar, cuidando do lar e da família à revelia deles. Quando voltasse era o fim da tarde e as crianças vindas do colégio exigiam-na. Assim chegaria a noite, com sua tranqüila vibração. De manhã acordaria aureolada pelos calmos deveres. Encontrava os móveis de novo empoeirados e sujos, como se voltassem arrependidos. Quanto a ela mesma, fazia obscuramente parte das raízes negras e suaves do mundo. E alimentava anonimamente a vida. Estava bom assim. Assim ela o quisera e escolhera.

 O bonde vacilava nos trilhos, entrava em ruas largas. Logo um vento mais úmido soprava anunciando, mais que o fim da tarde, o fim da hora instável. Ana respirou profundamente e uma grande aceitação deu a seu rosto um ar de mulher.

 O bonde se arrastava, em seguida estacava. Até Humaitá tinha tempo de descansar. Foi então que olhou para o homem parado no ponto.

 A diferença entre ele e os outros é que ele estava realmente parado. De pé, suas mãos se mantinham avançadas. Era um cego.

 O que havia mais que fizesse Ana se aprumar em desconfiança? Alguma coisa intranqüila estava sucedendo. Então ela viu: o cego mascava chicles... Um homem cego mascava chicles.

 Ana ainda teve tempo de pensar por um segundo que os irmãos viriam jantar — o coração batia-lhe violento, espaçado. Inclinada, olhava o cego profundamente, como se olha o que não nos vê. Ele mascava goma na escuridão. Sem sofrimento, com os olhos abertos. O movimento da mastigação fazia-o parecer sorrir e de repente deixar de sorrir, sorrir e deixar de sorrir — como se ele a tivesse insultado, Ana olhava-o. E quem a visse teria a impressão de uma mulher com ódio. Mas continuava a olhá-lo, cada vez mais inclinada — o bonde deu uma arrancada súbita jogando-a desprevenida para trás, o pesado saco de tricô despencou-se do colo, ruiu no chão — Ana deu um grito, o condutor deu ordem de parada antes de saber do que se tratava — o bonde estacou, os passageiros olharam assustados.

 Incapaz de se mover para apanhar suas compras, Ana se aprumava pálida. Uma expressão de rosto, há muito não usada, ressurgia-lhe com dificuldade, ainda incerta, incompreensível. O moleque dos jornais ria entregando-lhe o volume. Mas os ovos se haviam quebrado no embrulho de jornal. Gemas amarelas e viscosas pingavam entre os fios da rede. O cego interrompera a mastigação e avançava as mãos inseguras, tentando inutilmente pegar o que acontecia. O embrulho dos ovos foi jogado fora da rede e, entre os sorrisos dos passageiros e o sinal do condutor, o bonde deu a nova arrancada de partida.

 Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O bonde se sacudia nos trilhos e o cego mascando goma ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito.

 A rede de tricô era áspera entre os dedos, não íntima como quando a tricotara. A rede perdera o sentido e estar num bonde era um fio partido; não sabia o que fazer com as compras no colo. E como uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham um ar mais hostil, perecível... O mundo se tornara de novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, parecia-lhe que as pessoas da rua eram periclitantes, que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona da escuridão — e por um momento a falta de sentido deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas com a mesma calma com que não o eram.

 O que chamava de crise viera afinal. E sua marca era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas. Na Rua Voluntários da Pátria parecia prestes a rebentar uma revolução, as grades dos esgotos estavam secas, o ar empoeirado. Um cego mascando chicles mergulhara o mundo em escura sofreguidão. Em cada pessoa forte havia a ausência de piedade pelo cego e as pessoas assustavam-na com o vigor que possuíam. Junto dela havia uma senhora de azul, com um rosto. Desviou o olhar, depressa. Na calçada, uma mulher deu um empurrão no filho! Dois namorados entrelaçavam os dedos sorrindo... E o cego? Ana caíra numa bondade extremamente dolorosa.

 Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena compreensão, separava uma pessoa das outras, as roupas eram claramente feitas para serem usadas e podia-se escolher pelo jornal o filme da noite - tudo feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E através da piedade aparecia a Ana uma vida cheia de náusea doce, até a boca.

 Só então percebeu que há muito passara do seu ponto de descida. Na fraqueza em que estava, tudo a atingia com um susto; desceu do bonde com pernas débeis, olhou em torno de si, segurando a rede suja de ovo. Por um momento não conseguia orientar-se. Parecia ter saltado no meio da noite.

 Era uma rua comprida, com muros altos, amarelos. Seu coração batia de medo, ela procurava inutilmente reconhecer os arredores, enquanto a vida que descobrira continuava a pulsar e um vento mais morno e mais misterioso rodeava-lhe o rosto. Ficou parada olhando o muro. Enfim pôde localizar-se. Andando um pouco mais ao longo de uma sebe, atravessou os portões do Jardim Botânico.

 Andava pesadamente pela alameda central, entre os coqueiros. Não havia ninguém no Jardim. Depositou os embrulhos na terra, sentou-se no banco de um atalho e ali ficou muito tempo.

 A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava sua respiração. Ela adormecia dentro de si.

 De longe via a aléia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho.

 Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o Jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande demais.

 Um movimento leve e íntimo a sobressaltou — voltou-se rápida. Nada parecia se ter movido. Mas na aléia central estava imóvel um poderoso gato. Seus pêlos eram macios. Em novo andar silencioso, desapareceu.

 Inquieta, olhou em torno. Os ramos se balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar, pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a se aperceber.

 Nas árvores as frutas eram pretas, doces como mel. Havia no chão caroços secos cheios de circunvoluções, como pequenos cérebros apodrecidos. O banco estava manchado de sucos roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas patas de uma aranha. A crueza do mundo era tranqüila. O assassinato era profundo. E a morte não era o que pensávamos.

 Ao mesmo tempo que imaginário — era um mundo de se comer com os dentes, um mundo de volumosas dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como a repulsa que precedesse uma entrega — era fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante.

 As árvores estavam carregadas, o mundo era tão rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia crianças e homens grandes com fome, a náusea subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida e abandonada. A moral do Jardim era outra. Agora que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros passos de um mundo faiscante, sombrio, onde vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A decomposição era profunda, perfumada... Mas todas as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por um enxame de insetos enviados pela vida mais fina do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana mais adivinhava que sentia o seu cheiro adocicado... O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.

 Era quase noite agora e tudo parecia cheio, pesado, um esquilo voou na sombra. Sob os pés a terra estava fofa, Ana aspirava-a com delícia. Era fascinante, e ela sentia nojo.

 Mas quando se lembrou das crianças, diante das quais se tornara culpada, ergueu-se com uma exclamação de dor. Agarrou o embrulho, avançou pelo atalho obscuro, atingiu a alameda. Quase corria — e via o Jardim em torno de si, com sua impersonalidade soberba. Sacudiu os portões fechados, sacudia-os segurando a madeira áspera. O vigia apareceu espantado de não a ter visto.

 Enquanto não chegou à porta do edifício, parecia à beira de um desastre. Correu com a rede até o elevador, sua alma batia-lhe no peito — o que sucedia? A piedade pelo cego era tão violenta como uma ânsia, mas o mundo lhe parecia seu, sujo, perecível, seu. Abriu a porta de casa. A sala era grande, quadrada, as maçanetas brilhavam limpas, os vidros da janela brilhavam, a lâmpada brilhava — que nova terra era essa? E por um instante a vida sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo moralmente louco de viver. O menino que se aproximou correndo era um ser de pernas compridas e rosto igual ao seu, que corria e a abraçava. Apertou-o com força, com espanto. Protegia-se tremula. Porque a vida era periclitante. Ela amava o mundo, amava o que fora criado — amava com nojo. Do mesmo modo como sempre fora fascinada pelas ostras, com aquele vago sentimento de asco que a aproximação da verdade lhe provocava, avisando-a. Abraçou o filho, quase a ponto de machucá-lo. Como se soubesse de um mal — o cego ou o belo Jardim Botânico? — agarrava-se a ele, a quem queria acima de tudo. Fora atingida pelo demônio da fé. A vida é horrível, disse-lhe baixo, faminta. O que faria se seguisse o chamado do cego? Iria sozinha... Havia lugares pobres e ricos que precisavam dela. Ela precisava deles... Tenho medo, disse. Sentia as costelas delicadas da criança entre os braços, ouviu o seu choro assustado. Mamãe, chamou o menino. Afastou-o, olhou aquele rosto, seu coração crispou-se. Não deixe mamãe te esquecer, disse-lhe. A criança mal sentiu o abraço se afrouxar, escapou e correu até a porta do quarto, de onde olhou-a mais segura. Era o pior olhar que jamais recebera. Q sangue subiu-lhe ao rosto, esquentando-o.

 Deixou-se cair numa cadeira com os dedos ainda presos na rede. De que tinha vergonha?

 Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver.

 Já não sabia se estava do lado do cego ou das espessas plantas. O homem pouco a pouco se distanciara e em tortura ela parecia ter passado para o lados que lhe haviam ferido os olhos. O Jardim Botânico, tranqüilo e alto, lhe revelava. Com horror descobria que pertencia à parte forte do mundo — e que nome se deveria dar a sua misericórdia violenta? Seria obrigada a beijar um leproso, pois nunca seria apenas sua irmã. Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara no seu coração as águas mais profundas? Mas era uma piedade de leão.

 Humilhada, sabia que o cego preferiria um amor mais pobre. E, estremecendo, também sabia por quê. A vida do Jardim Botânico chamava-a como um lobisomem é chamado pelo luar. Oh! mas ela amava o cego! pensou com os olhos molhados. No entanto não era com este sentimento que se iria a uma igreja. Estou com medo, disse sozinha na sala. Levantou-se e foi para a cozinha ajudar a empregada a preparar o jantar.

 Mas a vida arrepiava-a, como um frio. Ouvia o sino da escola, longe e constante. O pequeno horror da poeira ligando em fios a parte inferior do fogão, onde descobriu a pequena aranha. Carregando a jarra para mudar a água - havia o horror da flor se entregando lânguida e asquerosa às suas mãos. O mesmo trabalho secreto se fazia ali na cozinha. Perto da lata de lixo, esmagou com o pé a formiga. O pequeno assassinato da formiga. O mínimo corpo tremia. As gotas d'água caíam na água parada do tanque. Os besouros de verão. O horror dos besouros inexpressivos. Ao redor havia uma vida silenciosa, lenta, insistente. Horror, horror. Andava de um lado para outro na cozinha, cortando os bifes, mexendo o creme. Em torno da cabeça, em ronda, em torno da luz, os mosquitos de uma noite cálida. Uma noite em que a piedade era tão crua como o amor ruim. Entre os dois seios escorria o suor. A fé a quebrantava, o calor do forno ardia nos seus olhos.

 Depois o marido veio, vieram os irmãos e suas mulheres, vieram os filhos dos irmãos.

 Jantaram com as janelas todas abertas, no nono andar. Um avião estremecia, ameaçando no calor do céu. Apesar de ter usado poucos ovos, o jantar estava bom. Também suas crianças ficaram acordadas, brincando no tapete com as outras. Era verão, seria inútil obrigá-las a dormir. Ana estava um pouco pálida e ria suavemente com os outros. Depois do jantar, enfim, a primeira brisa mais fresca entrou pelas janelas. Eles rodeavam a mesa, a família. Cansados do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não ver defeitos. Riam-se de tudo, com o coração bom e humano. As crianças cresciam admiravelmente em torno deles. E como a uma borboleta, Ana prendeu o instante entre os dedos antes que ele nunca mais fosse seu.

 Depois, quando todos foram embora e as crianças já estavam deitadas, ela era uma mulher bruta que olhava pela janela. A cidade estava adormecida e quente. O que o cego desencadeara caberia nos seus dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo? Qualquer movimento seu e pisaria numa das crianças. Mas com uma maldade de amante, parecia aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-régias boiassem no escuro do lago. O cego pendia entre os frutos do Jardim Botânico.

 Se fora um estouro do fogão, o fogo já teria pegado em toda a casa! pensou correndo para a cozinha e deparando com o seu marido diante do café derramado.

 — O que foi?! gritou vibrando toda.

 Ele se assustou com o medo da mulher. E de repente riu entendendo:

 — Não foi nada, disse, sou um desajeitado. Ele parecia cansado, com olheiras.

 Mas diante do estranho rosto de Ana, espiou-a com maior atenção. Depois atraiu-a a si, em rápido afago.

 — Não quero que lhe aconteça nada, nunca! disse ela.

 — Deixe que pelo menos me aconteça o fogão dar um estouro, respondeu ele sorrindo.

 Ela continuou sem força nos seus braços. Hoje de tarde alguma coisa tranqüila se rebentara, e na casa toda havia um tom humorístico, triste. É hora de dormir, disse ele, é tarde. Num gesto que não era seu, mas que pareceu natural, segurou a mão da mulher, levando-a consigo sem olhar para trás, afastando-a do perigo de viver.

 Acabara-se a vertigem de bondade.

 E, se atravessara o amor e o seu inferno, penteava-se agora diante do espelho, por um instante sem nenhum mundo no coração. Antes de se deitar, como se apagasse uma vela, soprou a pequena flama do dia.

Convite 
Lya Luft

Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério
A quatro mãos escrevemos este roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.